Universitários levam Irrigação Inteligente para Escola Rural em Santa Maria do Eixo-Forte
Projeto de extensão implementa sistema automatizado em horta da Casa Familiar Rural, visando mitigar impactos da estiagem e fortalecer a produção de comunidades tradicionais.
Sob o sol intenso, onde as mudanças climáticas têm alterado os ciclos de chuva e secas, a inovação tecnológica se tornou uma ferramenta essencial para a sobrevivência da agricultura familiar. Na comunidade de Santa Maria, região do Eixo-Forte em Santarém, estudantes do curso de Redes de Computadores do Centro Universitário da Amazônia desenvolveram um projeto de extensão que utiliza o conhecimento acadêmico para resolver um problema real: a irrigação eficiente em comunidades tradicionais.
A iniciativa realizada em parceria com a Earthworm Foundation (Fundação Minhocas) possibilitou na implementação de um sistema de irrigação inteligente automatizada na horta pedagógica da Casa Familiar Rural (CFR) de Santa Maria, que atende filhos de agricultores e ribeirinhos de diversas regiões do Baixo Amazonas.

O sistema de irrigação inteligente foi desenvolvido utilizando o Arduino, uma plataforma de prototipagem eletrônica de hardware e software livre, usada para criar objetos interativos. No projeto, a placa é o "cérebro" que gerencia e executa a programação, controlando a abertura e o fechamento das válvulas de água, garantindo assim a automação precisa da irrigação e a otimização dos recursos.
“Hoje nós estamos aplicando o conhecimento que começou em sala de aula, trazendo um sistema de irrigação inteligente que utiliza o Arduino para fazer o controle total da água, dos horários, e que funciona de forma automática. É a consolidação dessa importante parceria entre a faculdade e a sociedade”, explica o professor de Redes, Marcos Costa, coordenador da ação e docente da disciplina de Laboratório de Empreendimentos Inovadores.
Tecnologia a serviço da economia hídrica
A automação desenvolvida pelos acadêmicos Ronald Cruz e Lunara Pinheiro funciona em ciclos programados, permitindo um uso consciente e racional dos recursos. “O sistema foi configurado, inicialmente, para funcionar em ciclos de 12 em 12 horas. Ele ativa a válvula para irrigar por uma hora e depois desliga, repetindo o processo automaticamente. Isso promove a economia de água e energia, e principalmente a sustentabilidade, pois o controle da água no solo é essencial, já que tanto o excesso quanto a falta dela podem danificar a terra”, detalha Lunara que já está no último semestre do curso.

Ao lado dela, Ronald Cruz reforça o valor da experiência em campo: “É de grande significado! Tivemos uma vivência totalmente diferente, um olhar prático de como funciona o projeto que montamos na sala de aula. É uma experiência única que aprimora tudo o que aprendemos, colocando o conhecimento tecnológico em prática na comunidade.”
Parceria para a resiliência comunitária
A iniciativa dos universitários atende a uma demanda urgente da Casa Familiar Rural. A escola, que utiliza a Pedagogia da Alternância (onde os alunos revezam entre uma semana na escola e duas em casa, aplicando o conhecimento), viu sua produção de hortaliças ser drasticamente afetada pelas longas estiagens.
“A Casa Familiar Rural oferece uma educação diferenciada, voltada à classe produtiva que trabalha com agropecuária e agroecologia. Mas, com as mudanças climáticas, a produção morre com frequência”, relata Maria Odila Godinho, Vice-Presidente da Associação das Casas Familiares Rurais. “O foco desse trabalho agora é a irrigação, pois se tivéssemos a irrigação adequada, nossas plantas não teriam morrido. Este projeto é fundamental, pois garante mais tempo para outras atividades e ajuda a reverter a produção que estava sendo prejudicada.”
O elo que conectou a academia à comunidade foi a Earthworm Foundation, que já atua no fomento à agricultura familiar na região. “Nós já tínhamos mapeado a necessidade urgente de um sistema de irrigação. A UNAMA nos apresentou este projeto de automação por Arduino, e percebemos que era perfeitamente aplicável. Essa parceria é fundamental, pois além de trazer a dinâmica de inovação da UNAMA, ela melhora a atividade de campo e a produção agrícola, juntando tecnologia com práticas sustentáveis”, afirma Airton Costa, Analista de Projeto da Earthworm Foundation (Fundação Minhocas).
O futuro da produção no Tapajós
Os estudantes da Casa Familiar Rural veem na nova tecnologia uma esperança de dias melhores e de uma produção mais estável. Os alunos da CFR vêm de diversas regiões, como Surucuá (Rio Tapajós), São Pedro (Rio Arapiuns) e Resex Tapajós-Arapiuns, e a meta é levar o aprendizado de volta para suas propriedades.
Para Maria Gilda Silva, estudante de Agroecologia, o projeto veio para somar: “Com a irrigação automatizada, teremos menos trabalho e mais tempo para fazer outras atividades. É uma forma de conseguir ter mais produção e colocar mais produtos no mercado, mesmo enfrentando o verão intenso.”
Da comunidade Surucuá Elso Brás Cruz, ressalta a importância de ter um conhecimento adaptado à nova realidade climática: “Eu busco essa formação visando as tecnologias, porque o conhecimento de nossos ancestrais não está mais dando a produtividade de antigamente com as mudanças do clima. Hoje, meter a mão na massa com o Arduino e com os alunos da UNAMA é um conhecimento que, quando eu chegar na minha propriedade, eu já vou saber como montar e ensinar outros moradores. Isso com certeza vai trazer mais renda e menos mão de obra”, finalizou.









